sexta-feira, 5 de agosto de 2016

São Tomé e Príncipe: Fundação Novo Futuro realiza jantar de angariação de fundos

A Fundação Novo Futuro realizou no mês passado o seu jantar anual de angariação de fundos, que lhe permite recolher os recursos necessários à execução de algumas das suas actividades, nomeadamente apoiar os estudos de jovens santomenses para além do 12º ano.


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Lançada Parceria Global para acabar com a Violência contra as Crianças

No passado dia 12 de Julho foi lançada na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a Parceria Global para acabar com a Violência contra as Crianças. Estiveram presentes vários líderes mundiais e jovens activistas.

Esta iniciativa insere-se na Agenda 2030. “Acabar com o abuso, exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura contra crianças” é a meta 2 do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 16.

Para mais informações sobre esta Parceria Global: www.end-violence.org 


sexta-feira, 8 de julho de 2016

São Tomé e Príncipe: Primeiro Parlamento Infanto-Juvenil decorreu em Junho

Assinalando o Dia da Criança Africana, realizou-se nos dias 16 e 17 de Junho, duas sessões do primeiro Parlamento Infanto-Juvenil de São Tomé e Príncipe, que contou com a participação de 55 jovens deputados e deputadas e teve como tema o abandono escolar.


Julicia da Costa Lima, 11 anos, representante da Fundação Novo Futuro defendeu que a existência de famílias carenciadas é uma das causas do abandono escolar e sugeriu a realização de um estudo mais aprofundado sobre esta questão a nível nacional.

Julicia da Costa Lima, 11 anos
representante da Fundação Novo Futuro no Parlamento Infanto-Juvenil

Sobre este assunto, leia também as notícias da RFI aqui e da Agência Noticiosa STP-Press aqui

terça-feira, 31 de maio de 2016

São Tomé e Príncipe vai ter Parlamento Infanto-Juvenil

Membros da Sociedade Civil recebidas na Assembleia Nacional
No passado dia 28 de Abril, representantes da sociedade civil santomense - entre os quais a Fundação Novo Futuro, a Fundação da Criança Juventude, a FONG-STP e a AISEC -, foram ouvidas pela 5ª Comissão Parlamentar da Assembleia Nacional, juntamente com o Ministério da Educação, Cultural e Ciência e a Unicef, relativamente ao processo de criação de um Parlamento Infanto-Juvenil no país.

A jovem Julicia da Costa Lima, de 11 anos, será a representante da Fundação Novo Futuro nesta nova estrutura de promoção dos direitos das crianças, que irá integrar 55 rapazes e raparigas, com idades entre os 10 e 17 anos, de todos os distritos e Região Autónoma do Príncipe.

O lançamento está previsto para dia 16 de Junho, Dia da Criança Africana. 



sexta-feira, 13 de maio de 2016

São Tomé e Príncipe: Análise da situação das crianças e mulheres 2015

Já se encontra disponível, em formato digital, estudo sobre a situação das crianças e as mulheres em São Tomé e Príncipe editado pela UNICEF.

Este estudo faz uma análise da situação das crianças baseada nos direitos: o direito a níveis de vida adequados, o direito das crianças ao desenvolvimento, o direito à educação primária gratuita e universal, o direito à proteção, o direito à participação e a informação.

 Para aceder à publicação, clique aqui.


Relativamente à alocação dos dinheiros públicos às áreas que afectam as crianças, o estudo conclui que o orçamento geral do Estado 2015 consagrou:
  • 12% das despesas públicas aos programas orientados especificamente para as crianças (educação pré-escolar, primária, secundária ou técnica, transporte e alimentação escolar, saúde materna e infantil, saúde reprodutiva, nomeadamente);
  • 12% são destinados à programas que têm grandes repercussões sobre as crianças mas de maneira indireta (despesas de saúde, medicamentos, luta contra o paludismo, água e saneamento, alojamento, e outros).
  • 7% do orçamento é consagrado às despesas que têm um efeito positivo sobre as crianças através de programas orientados para beneficiar a um grupo da população mais largo (alfabetização dos adultos, proteção social para as pessoas idosas, desenvolvimento rural, assistência jurídica gratuita, infraestruturas urbanas, proteção do ambiente etc.).

O estudo faz as seguintes recomendações, entre outras:
  • a assinatura e ratificação dos três protocolos facultativos da Convenção dos Direitos da Criança (relativo à tráfico de crianças, à prostituição infantil e à utilização das crianças para a pornografia; relativo à participação das crianças em conflitos armados e relativo ao procedimento apresentação de comunicações)
  • a coerência das políticas económicas e fiscais com as políticas sociais para uma maior eficácia das medidas de redução da pobreza
  • a adopção de medidas legislativas e políticas para erradicar as disparidades de género e a discriminação das mulheres no mercado do trabalho nomeadamente, considerando que as mulheres são os principais agentes de protecção social e de desenvolvimento a nível micro.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Moçambique adopta Estratégia Nacional de Combate aos Casamentos Prematuros

Estratégia Nacional de Combate aos Casamentos Prematuros (2016-2019) foi aprovada pela 42ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros realizada a 1 de Dezembro de 2015 e a sua versão final foi recentemente apresentada pelo Ministério de Género, Criança e Acção Social.

Esta Estratégia foi debatida ao longo do ano de 2015, com a UNICEF e a sociedade civil, que participou através da Coligação Para a Eliminação do Casamento Prematuro (CECAP).

O objectivo geral deste documento de política é a criação de um ambiente favorável à redução progressiva e ao combate dos casamentos prematuros e a garantia da sua prevenção e a mitigação.

"Moçambique é o décimo país do mundo, com uma prevalência de casamentos prematuros mais elevada, em que 14% das mulheres, entre os 20 e 24 anos de idade, casaram antes dos 15 anos de idade e, 48% casaram antes dos 18 anos de idade. 
A correcção desta situação requer uma intervenção multissectorial e coordenada, quer a nível do Governo como da sociedade civil. 
Os casamentos prematuros constituem violação dos direitos humanos e têm como consequências (i) a perpetuação da pobreza, (ii) a violência baseada no género, (iii) problemas de saúde reprodutiva e (iv) a perda de oportunidades de empoderamento das crianças do sexo feminino e, consequentemente, das mulheres", pode ler-se no sumário executivo da Estratégia. 

Pode aceder ao documento, clicando aqui.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Dia internacional das crianças de/na rua







A 12 de Abril de 2016, assinala-se em mais de 130 países o 6º Dia Internacional das crianças de e na rua. 

Por essa ocasião, o Consortium for Street Children publicou um conjunto de dados sobre a situação destas crianças no mundo, uma situação que continua de actualidade em muitos países e que é urgente denunciar, como é urgente fazer progredir os direitos destas crianças.




Este ano o lema deste dia internacional é desafiar as percepções que as pessoas têm das crianças que vivem ou trabalham na rua:













Para mais informações: www.streetchildren.org.uk

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Conselho da Europa: nova Estratégia para os Direitos das Crianças 2016-2021

Decorre dias 5 e 6 de Abril, na Bulgária, uma conferência em que vai ser apresentada oficialmente a nova Estratégia do Conselho da Europa para os Direitos das Crianças 2016-2021, com especial enfoque na igualdade de oportunidades, a participação das crianças na tomada de decisão, vida livre de violência e uma justiça amiga das crianças, bem como os direitos dos mais pequenos nos ambientes digitais.

O documento faz referência aos principais desafios que as crianças enfrentam, sublinhando que "os direitos das crianças são violados numa base diária" e que continuam a existir "falhas na protecção legal das crianças".

Fonte: www.publico.pt/sociedade/noticia/conselho-da-europa-apresenta-nova-estrategia-pelos-direitos-das-criancas-1727971


segunda-feira, 14 de março de 2016

São Tomé e Príncipe: os direitos das crianças em vídeo

O Governo santomense, em colaboração com o UNICEF, produziu um conjunto de 11 vídeos sobre os seguintes direitos das crianças:


Com cerca de 3 minutos cada, contam com a participação de crianças, pais e famílias e constituem um instrumento de sensibilização, disponível online, para uso das organizações da sociedade civil, escolas e outros, que queiram dinamizar actvidades de promoção e defesa dos direitos das crianças. Os vídeos encontram-se acessíveis aqui



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Descolad@s - uma revista feita por jovens

Foi lançada este mês a 5ª edição da Revista Descolad@s.
Nesta publicação alternativa, a principal voz é a dos/as adolescentes. O objectivo é envolver os jovens no debate sobre direitos e cidadania.

"O desafio de democratizar a comunicação", "Construindo a educação que queremos" e "Uma reforma que elimine a exclusão" são alguns dos artigos que pode ler nesta edição (aqui). 

Produzida desde 2010, a revista insere-se no projecto “Onda: adolescentes protagonistas”, uma iniciativa do Instituto de Estudos Socioeconmicos (Inesc) - Brasil. 

Outras edições da revista podem ser consultadas aqui.

Pode obter mais informações sobre o projecto "Onda: adolescentes protagonistas" aqui e aqui

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Meninos talibés no World Press Photo

Mário Cruz, fotógrafo português, venceu este mês o prémio World Press Photo na categoria “Temas Contemporâneos” com um conjunto de fotografias captadas no Senegal e na Guiné-Bissau e intituladas "Talibés, escravos dos tempos modernos".

São chamados de talibés os meninos traficados para o Senegal e que vivem em escolas islâmicas sob o pretexto de receberem os ensinamentos do Corão, enquanto são forçados a mendigar nas ruas.

“Sempre foi o meu principal objectivo - trazer atenção para o tema”, conta Mário Cruz que teve contacto com esta realidade pela primeira vez em 2009, quando estava em Bissau a cobrir as eleições presidenciais.




Na Guiné-Bissau, a AMIC - Associação dos Amigos da Criança, é uma ONG guineense vocacionada para a prevenção e combate ao tráfico de crianças. Para mais informações e contactos, clique aqui.



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

2016 - Ano Internacional da CPLP contra o Trabalho Infantil

Decorreu no passado dia 17, na Assembleia da República portuguesa, a Cerimónia de Abertura do Ano Internacional da CPLP contra o Trabalho Infantil.

A Sessão Solene foi presidida pela Deputada Teresa Caeiro, Vice-Presidente da Assembleia da República, que defende que a CPLP seja uma "união de vontades pela defesa incondicional dos direitos humanos". Acrescentou ainda que "tem de haver uma vontade comum de aprofundar as nossas democracias" e frisou que é algo em permanente construção: "a democracia não é um dado adquirido, é uma luta constante".

A Ministra da Solidariedade Social de Timor-Leste, Isabel Amaral Guterres, salientou que é obrigação dos Estados proteger as crianças e afirmou que "o combate ao trabalho infantil é uma prioridade politica". Relembrou a Declaração Política e o Plano de Acção Conjunto aprovados em Bissau em 2006 e sublinhou que "não basta construir quadros legais, é necessário ir às raízes do problema e actuar sobre elas. Todos temos noção que o trabalho infantil está associado à pobreza. Combater e pobreza é com certeza uma forma importante de actuar." Focou ainda a importância de desenvolver sistemas educativos de qualidade e acções de inspecção do trabalho eficazes.

Isabel Amaral Guterres a discursar e
Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil

O Secretário Executivo da CPLP, o Embaixador Murargy, foi peremptório ao afirmar que "não podemos admitir trabalho infantil no século XXI" e que o combate ao trabalho infantil concorre para "assegurar a cidadania de um universo de crianças desfavorecidas", sendo necessário redobrar de esforços para vencer esta luta. Na sua intervenção, declarou ainda que as crianças garantem o futuro de qualquer sociedade e que "a atenção às crianças constitui um elemento central na formulação de qualquer política de Desenvolvimento".


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Já se encontra disponível online o vídeo realizado sobre o Encontro Internacional “Vozes de Nós / Direitos das Crianças em situação de vulnerabilidade nos países da CPLP” decorrido em Bissau em finais de 2015.

O vídeo reúne pequenos depoimentos dos parceiros e colaboradores do projecto sobre o que o representou para si e para as suas organizações o encontro de Bissau, bem como sobre como vêem o futuro da Rede Vozes de Nós e quais os desafios que a Rede tem pela frente.

Aceda ao vídeo clicando aqui ou através do menu Recursos Multimédia.





quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Encontro Internacional Vozes de Nós | Dia 3 de Dezembro

O último dia do Encontro decorreu no Centro Cultural Português, onde teve lugar uma oficina dedicada ao tema "Advocacia em direitos humanos: experiências e desafios".

A sessão foi dinamizada por Luis Vaz Martins, da Liga Guineense dos Direitos Humanos, que falou sobre estratégias de advocacia, Ilsa Sá, da ONG Tiniguena, que se debruçou sobre a importância da pesquisa no advocacia e Ana Filipa Oliveira, da ACEP, que focou a sua intervenção no papel da comunicação.


Um dos aspectos frisados pelo Luís Vaz Martins foi a questão da legitimidade da necessidade da intervenção das OSC em assuntos do domínio público: "é uma legitimidade que provem das suas experiências com os problemas tratados (...) a relação de parceria com as comunidades directamente é que justifica a nossa legitimidade". Sublinha ainda que a legitimidade das OSC assenta em três pontos essenciais: na sua experiência em lidar com certos assuntos, na sua credibilidade e na sua aceitação social. Acrescentou ainda que "nenhuma OSC pode fazer lóbi ou advocacia com sucesso sem antes angariar uma aceitação muito forte".
Falando das estratégias para uma acção de advocacia bem sucedida, Luís Vaz Martins destacou a importância de engajamento com grupos de apoio, entre os quais os media: "temos que fazer sempre de aliado a comunicação social", destacando o papel das rádios comunitárias em contextos como o da Guiné-Bissau. 



Conhecer a legislação existente, conhecer as necessidades da comunidade, saber se há organismos públicos a trabalhar sobre a questão que nos interessa, saber o que diz a legislação internacional, se o Estado ratificou esses instrumentos, se não, porquê?, etc., são alguns dos elementos chave para fundamentar acções de advocacia, defende Ilsa Sá. 
Falando sobre o papel das organizações da sociedade civil no domínio da advocacia, Ilsa Sá frisou a importância que algumas OSC guineenses tiveram na adopção da lei contra a violência baseada no género. 


Falando do papel da comunicação nas acções de advocacia, a par de meios mais tradicionais como a comunicação social e as rádios e televisões comunitários em países como a Guiné-Bissau, Ana Filipa Oliveira ressaltou a importância dos novos media (Facebook, Twitter, Youtube, blogues) que, apesar de certas limitações (nomeadamente as condições de acesso à Internet em certos contextos), constituem um instrumento eficaz para disseminar as mensagens não só junto das respectivas comunidades, mas também para o exterior, e têm a vantagem de serem gratuitos e de fácil utilização.
Outros meios ao dispor das OSC são, por exemplo, as newsletter ou boletins informativos, sejam em papel, sejam em formato digital e disseminadas por email, a elaboração de brochuras temáticas, a produção de pequenos vídeos. Estes são pois canais alternativos que nos permitem fazer chegar as mensagens aos grupos-alvo, sejam estes as comunidades ou decisores políticos. A produção de material próprio e a sua disseminação directamente pelas OSC constitui pois um boa opção quando a nossa capacidade de penetrar a esfera mediática é reduzida.




No final da sessão foram apresentados os pequenos vídeos de sensibilização produzidos por cada uma das organizações parceiras do projecto e que se encontram disponíveis no menu Recursos Multimédia deste blogue (aqui).



O dia encerrou com a leitura da Declaração final do encontro e com a projecção de "Meninos de Parte Nenhuma" (I. Noronha/ V. Altman, Moçambique, 2011), um filme que recorre às técnicas do documentário e da animação para contar a história de quatro crianças que tentam fugir da violência e lutam por uma vida com dignidade.





terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Encontro Internacional Vozes de Nós | Dia 2 de Dezembro

Da parte da manhã decorreu a mesa redonda "Articulações entre OSC e instituições públicas" que contou com a participação de Laudolino Medina (AMIC - Guiné-Bissau), Dulce Gomes (Fundação Novo Futuro - São Tomé e Príncipe), Abdul Remane (Meninos de Moçambique - Moçambique), Cipriano Oliveira (Fórum Comunicação e Juventude - Timor-Leste) e Ana Emília Sá, presidente do Instituto da Mulher e da Criança.  A moderação esteve a cargo de Jamel Handem, da ONG Alternag.

Deixamos aqui excertos das respectivas intervenções.


Este processo [de articulação] é descontínuo, há momentos altos e há momentos baixos. Esses momentos baixos foram essencialmente caracterizado pelos períodos de instabilidade. Neste momento tenho uma excelente relação de colaboração com a presidente do Instituto da Mulher e da Criança, uma facilidade de diálogo, mas por exemplo, pode cair este governo, vem outro governo e nomeia outra pessoa que não percebe da área social, é um recuo, essa pessoa tem de ser formada de novo. Esses momentos baixos são caracterizados pelos momentos de incompreensão, muitas vezes o Instituto pensa que as ONG está a tomar o espaço dele... essas mudanças de interlocutores criam-nos dificuldades em termos de colaboração. Outro aspecto que gostaria de salientar é a não priorização da agenda da infância nos diferentes programas do governo. É ir ver o orçamento do ministério do Instituto da Mulher e da Criança, é insignificante para fazer face à problemática da criança. - Laudolino Medina


A Fundação Novo Futuro surgiu em 2002 com o objectivo de trabalhar para o bem-estar das crianças e ultimamente com o surgimento deste projecto, fomos sistematizando e melhorando a nossa visão sobre como trabalhando no âmbito dos direitos das crianças. Desde o início, nós começámos a trabalhar com outras ONG, sobretudo aquelas que tinham objectivos afins aos nossos. Com a 3ª fase do projecto, fizemos encontros ao nível distrital e regional e esses encontros englobaram não apenas ONG que trabalham em prol das crianças mas também instituições públicas. Em conjunto debatemos questões ligadas à protecção dos direitos das crianças. - Dulce Gomes



Existe uma articulação entre o Estado e as organizações da sociedade civil em Moçambique. (...) Após 26 anos de conflito armado, praticamente o país estava em ruínas, não tínhamos escolas, não tínhamos hospitais, não tínhamos vias de acessos,... As organizações nacionais e internacionais de assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade começam a surgir após a instauração do regime multipartidário, em 1994. O Estado não tinha capacidade para dar resposta a tanta carência que o país apresentava e a estratégia que o Estado adoptou foi fazer aliança com as organizações da sociedade civil, permitir que essas organizações pudesses fazer o trabalho que o Estado por diversas razões - capacidade técnica, financeira e outra - tinha dificuldades em fazer. De alguma forma essa aliança é boa. Essa relação permite ao Estado coordenar as actividades desenvolvidas pelas organizações e, ao mesmo tempo, permite à organizações aumentar as suas áreas de intervenção. Houve aqui uma oportunidade para ambas as partes. - Abdul Remane 



Nós começamos as nossas actividades depois do referendo que levou à independência de Timor-Leste em 2002. Havia muitas crianças na rua. Durante a ocupação indonésia, muitas comunidades tinham fugido e muitas as crianças viram-se separadas das suas famílias. Foi nesse contexto que criámos o Fórum Criança e Juventude - Oratório Don Bosco, que inclui um centro de acolhimento, para dar resposta a situações de emergência, e desenvolve actividades recreativas e um serviço psicossocial. Trabalhamos nomeadamente com crianças de/na rua e crianças em conflito com a lei. Tanto o Ministério da Solidariedade como a Polícia encaminham crianças para o nosso centro de acolhimento. - Cipriano Oliveira 



O Governo da Guiné-Bissau criou o Instituto da Mulher e da Criança (IMC) no ano 2000, com vocação de defesa e protecção dos direitos das crianças e das mulheres. Muitas ONG são nossas parceiras, estamos no mesmo barco. (...) O que eu queria mesmo em termos de ajuda é fazermos uma política nacional da infância. Até agora, a Guiné-Bissau não tem uma e isso não é bom para nós. Nós podíamos fazer um plano de acção, nesse plano de acção poderíamos delinear as directrizes de orientação e de implementação. Antes da sua aprovação, todas as ONG parceiras poderiam trabalhar connosco na orientação de como esse plano de acção poderia ser feito. Mas infelizmente não temos meios para isso. (...) Desde que entrei no IMC, há dois ano, que o nosso compromisso com o Estado é somente a nível salarial, nunca recebi fundo de maneio da parte do Estado, se não fossem os organismos internacionais, as portas já estariam fechadas. - Ana Emília Sá

O dia terminou com um debate radiofónico sobre "Os direitos das crianças nos países de língua portuguesa", moderado pela jornalista Charlotte Alvarenga, na Rádio Jovem.

Para ouvir o debate, clique aqui



segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Encontro Internacional Vozes de Nós | Dia 1 de Dezembro

O Encontro Internacional “Vozes de Nós / Direitos das Crianças em situação de vulnerabilidade nos países da CPLP” foi um dos eventos inseridos na iniciativa QUINZENA DOS DIREITOS que decorreu em Bissau de 01 a 14 de Dezembro.

Os dois primeiros dias de trabalhos decorreram na Casa dos Direitos, fruto da parceria de um conjunto alargado de organizações da sociedade civil guineense, da qual faz também parte a ACEP. A Casa dos Direitos constitui-se como espaço de iniciativas culturais e de cidadania que pretendem promover o diálogo e a reflexão sobre os direitos humanos na Guiné-Bissau.



Participaram na sessão de abertura o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário, a Presidente da ACEP, Fátima Proença, o Presidente da Comissão Especializada Permanente para os Assuntos Jurídicos, Constitucionais, Direito do Homem e Administração Pública, Higino Cardoso, e o Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Mala Sané.

Augusto Mário, Mala Sané, Higino Cardoso e Fátima Proença

Casa dos Direitos com sala cheia no dia de abertura da Quinzena

Seguiu-se a sessão de abertura do encontro Vozes de Nós, no qual tomaram a palavra Liliana Azevedo, em nome da ONG coordenadora do projecto, Carlos Gonçalves, em representação da CPLP, principal financiador do projecto, e Laudolino Medina, Secretário Geral da AMIC, organização parceira do país anfitrião. 

Liliana Azevedo, relembrou que este encontro representa o culminar de mais de cinco ano de trabalho conjunto entre ONG dos países de língua portuguesa e qual o percurso percorrido. "Ao longo dos anos, foram-se estabelecendo pontes e tecendo laços entre organizações que experienciavam dificuldades comuns, apesar de contextos diferentes, e hoje partilham também soluções e se apropriam de recursos e metodologias testados por outros e adaptáveis aos seus contextos", salientou.

Laudolino Medina focou a abrangência geográfica de uma "iniciativa ímpar ao nível da CPLP" e ressaltou que esta tem vindo a "contribuir para a criação de um ambiente favorável à co-responsabilização de toda a sociedade relativamente à protecção das crianças e jovens em situação de vulnerabilidade e promoção dos seus direitos", sendo um objectivo alcançável "com a contribuição de todos e a todos os níveis".

Na sua intervenção, Carlos Gonçalves sublinhou o "especial carinho e atenção" que a CPLP vem dedicando ao projecto "Meninos de Rua: Inclusão e Inserção" e deixou um repto aos países membro desta comunidade: "muito mais do que cuidar das crianças em situação de rua, é [necessário] ter políticas justas e inclusivas que os impedem de estar em situação de rua" e sublinhou o papel de primeira linha que os parceiros deste projecto podem jogar nesse sentido. Terminou, frisando que o projecto é "demasiado valioso e importante para a nossa Comunidade para ficar só por aqui" e apelando aos Estados Membros à busca de soluções para possibilitar a alocação de recursos com vista à sua continuidade. 

Pode aceder às intervenções de Liliana Azevedo aqui e de Laudolino Medina aqui

Liliana Azevedo, Carlos Gonçalves, Laudolino Medina
 
O primeira mesa redonda foi dedicada ao tema "Crianças em situação de vulnerabilidade nos países de língua portuguesa: o papel da sociedade civil e o papel do Estado". A mesa foi moderada por Sónia Polónio da UNICEF e contou com as intervenções de duas organizações parceiras do projecto: Eleonora Rabêllo (CRIA – Brasil) e Lourença Tavares (ACRIDES – Cabo Verde), e com duas organizações da sociedade civil guineense: Manuel Lopes Rodrigues (CODEDIC – Guiné-Bissau) e Julieta Okika de Sá (Comité Nacional para o Abandono de Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança). 

Eleonora Rabêlo, Lourença Tavares, Sónia Polónio, Manuel Lopes Rodrigues
Manuel Lopes Rodrigues, CODEDIC-GB

Julieta Okika de Sá



O debate que se seguiu às apresentações foi muito participado e foram inúmeras as intervenções do público. 

Aissatu Camará, da RENLUV- Rede Nacional de Luta contra a Violência no Género e na Criança, relembrou que é graças aos esforços da sociedade civil que são possíveis certas alterações, dando como exemplo a aprovação da lei contra a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau, um passo que considera significativo, apesar de não suficiente. "Proteger as crianças é promover o desenvolvimento sustentável", concluiu.

Aissatu Camará

Albino Lucas, da ONG angolana Okutiuka, relembrou que a sociedade civil tem um papel fundamental na monitoria das leis aprovadas pelo Estado e na advocacia dos direitos. Considera que é necessário levar as leis a cada cidadão para que cada um saiba quais os seus direitos e os seus deveres, se assim for, os cidadãos tiverem plena consciência dos seus direitos e irá exigir que estes sejam cumpridos, sendo mais difícil o Estado cometer abusos. 





























Albino Lucas





Da parte da tarde decorreram duas oficinas. Uma sobre "Mecanismos de monitoria da Convenção dos Direitos das Crianças" que foi dinamizada por Ana Emília De Barros Sá, presidente do IMC e por Laudolino Medina, Secretário Geral da AMIC.




Em paralelo, decorreu uma segunda oficina, sobre metodologias de sensibilização, dirigida a animadores e intitulada "Brincadeira com Assunto Dentro". A oficina foi conduzida por Maria Eleonora Rabêllo, coordenadora geral do CRIA e Patrícia Moscozo, educadora multidisciplinar. Participaram jovens e animadores das organizações parceiras que compõe a Rede Vozes de Nós, bem como de participantes de organizações juvenis de Bissau. 
Esta oficina teve o intuito de ser uma pequena amostra da metodologia do CRIA, possibilitando a vivência de jogos e brincadeiras de liberação, integração e sensibilização que permitissem a reflexão e discussão sobre a temática da “Rede” . O que é Rede ? Para que serve ? Como se tece uma rede? Como manter viva? Mas o tema Rede, que tanto nos diz respeito, foi o mote para conversar um pouco sobre a metodologia de arte-educação desenvolvida pelo CRIA há 21 anos.   









Encontro Internacional Vozes de Nós | Dia 30 de Novembro


O Encontro Vozes de Nós iniciou com uma dia de visitas a organizações locais, designadamente a Casa dos Direitos, a Casa Bambaran e a centro de acolhimento da AMIC no bairro de Interramento.

Foto de família no pátia da Casa dos Direitos
Sala memória da Casa dos Direitos

A visita à Casa Bambaram foi acompanhada do visionamento e debate em torno do vídeo "Bambaran di Mininu", um pequeno documentário que retrata a situação das crianças portadoras de deficiência na Guiné-Bissau.





A visita às instalações da AMIC, organização parceira do projecto, foi a oportunidade para uma conversa sobre o caminho percorrido em conjunto nos últimos anos, aprendizagens e desafios. 

Laudolino Medina - AMIC, Guiné-Bissau
Liliana Azevedo - ACEP, Portugal
Dulce Gomes - Fundação Novo Futuro, São Tomé e Príncipe
Eleonora Rabêllo - CRIA, Brasil
Albino Lucas - Okutiuka, Angola
Lourença Tavares - ACRIDES, Cabo Verde       
Cipriano Oliveira - Fórum Comunicação e Juventude, Timor-Leste
Abdul Remane - Meninos de Moçambique, Moçambique